Em artigo publicado na edição de hoje do jornal Página 12, o articulista Horacio Verbitsky afirma que uma eventual chegada de José Serra à presidência, em 2010, significaria, além de uma guinada à direita no Brasil, uma preocupação a mais para a combalida indústria argentina. Ao analisar a relação entre os dois vizinhos sob a presidência de Lula, o jornalista declara que nunca houve um governante brasileiro tão disposto a sacrificar ganhos em alguns setores econômicos, em nome da integração regional.

“Esses interesses (da indústria paulista), que questionam o presidente por ser pró-argentino, são representados por José Serra”, afirma o texto, que segue. “Ninguém entende melhor do que Lula que uma harmonía com uma Argentina mais forte é um ativo que o Brasil capitaliza em sua projeção no cenário mundial”. Com base nas eleições no Brasil, Chile e Uruguai, que abrem a possibilidade para governos mais à direita nesses países, o artigo especula como seria o fim de mandato de Cristina Kirchner. A presidente argentina, argumenta o jornalista, se veria em meio a uma polarização na América do Sul entre Chávez e os seus aliados bolivarianos, e os novos mandatários, mais conservadores.

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