Fachada da sede do sindicato, no caríssimo bairro turístico de San Telmo

Fachada da sede do sindicato, no caríssimo bairro turístico de San Telmo

Uma vez no Rio de Janeiro, escutei uma piada duplamente preconceituosa. A anedota diz que o filho de um argentino com uma cearense (ou de uma argentina com um cearense) se tornaria um porteiro que se acha o dono do prédio, uma alusão à suposta quantidade de cearenses trabalhando em portarias e à alegada arrogância portenha, dizem os cariocas, também mundialmente famosos pela sua “humildade”.

Curiosamente, uma das mais poderosas categorias profissionais em Buenos Aires é a dos porteiros. Mesmo sem fazer quase nada e não estarem à vista na maior parte do tempo, os caras ganham uma grana razoável, que pode chegar até 2 mil pesos por mês (eles reivindicam um aumento de 25% agora).

E os condôminos, que bancam os os salários, não podem mover uma palha para remover um porteiro, caso estejam insatisfeitos com o seu trabalho. ou com a falta dele. É que a decisão sobre quem trabalha em cada edifício residencial ou comercial de Buenos Aires e de outras grandes cidades argentinas cabe ao sindicato da categoria. Uma fórmula trabalhista surgida com o peronismo.

Alguns amigos portenhos dizem que, durante a ditadura militar, os porteiros eram usados pelo governo para monitorar a vida dos moradores. Se é verdade ou não, é difícil de saber. Mas há relatos de porteiros que chegam a perguntar aos condôminos quem é fulano de tal, que esteve no seu apartamento em determinada hora. Se bem que eu já passei por isso em um prédio onde morava em Salvador. E o porteiro, curiosamente, era carioca.

No Brasil, o máximo de poder que um prteiro tem é deixar a pessoa mofando do lado de fora do prédio se não for com a cara dela. Mas aqui o sindicato é tão rico e poderoso que possui hospitais e clínicas, a chamada obra social, que se encarrega do atendimento médico dos trabalhadores da catetegoria e de seus familiares. E os caras não precisam fazer muito mais do que recolher o lixo e distribuir as correspondências.

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