Primeiro presidente argentino, após a restauração da democracia na década de 80, Raúl Alfonsín vai ser enterrado amanhã, dia 2 de abril. Vai ser feriado. Mas não pela morte do ex-mandatário, e sim porque nesse dia se celebra na Argentina uma homenagem aos soldados mortos na Guerra das Malvinas. A derrota no conflito com os ingleses ajudou a derrubar a sangrenta ditadura e restabelecer o regime democrático. Alfonsín estava lá para receber o cargo em 10 de dezembro de 1983.
Por coincidência, poucas horas antes do seu passamento, a atual presidente, Cristina Kirchner, pediu ao primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, a retomada das negociações sobre a soberania do pequeno arquipélago, no Atlântico Sul. Cristina comparou a situação das Ilhas Malvinas, pleiteadas pelo seu país, à questão da Palestina. O arquipélago, que serviu de pretexto para que os militares argentinos lançassem o país em uma guerra, ainda é um tema importante para os civis. No norte do país, hea um território chamado Malvinas Argentinas e, em alguns mapas oficiais, as ilhas aparecem como parte da nação. Alfonsín, que chegou ao governo pouco depois da rendição dos militares argentinos, deixa os seus concidadãos no dia em que eles reverenciam os soldados que lutaram pelo arquipélago. Aliás, um suposto veterano da guerra perambulava maltrapilho hoje pelos vagões de um trem bonaerense, distribuindo folhetos referentes à data e pedindo esmolas. Ninguém lhe dava atenção.

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