Até agora, os chineses só haviam influenciado a minha estadia na Argentina em minhas idas a supermercados e a lavanderias, ramos que os orientais dominam, pelo menos no centro de Buenos Aires. Há muitos deles e a experiência mais marcante foi com um jovem casal chinês. Fui com uma amiga à lavanderia do bairro, cada um para recolher sua trouxa. Entreguei uma nota de dez pesos, esperando receber dois de troco e, com muita dificuldade, a dupla me explicou que cobraria mais pelo serviço por que havia mais roupas do que o normal para um cesto.
Bom baiano que sou, aceitei pacificamente o acréscimo, mas fiquei esperando minha amiga. A garota chinesa não entendeu que eu estava acompanhando a outra cliente e começou a repetir: “justito, justito”, como quem pergunta “o que é que esse cara ainda quer aqui?” Até que, também com certa dificuldade, sinalizei que esperava minha amiga. Confesso que enquanto esperava, fiquei encarando os chineses, fechando os olhos como quem diz que está com raiva. Entregues as roupas de ambos, saímos do estabelecimento, eu com dois pesos a menos.
Mas isso foi fichinha perto do que os chineses me aprontaram esta semana. Não os que moram aqui, mas os de Beijing. Eu estava todo animado com a constante desvalorização do peso frente ao dólar e ao real. Parecia que finalmente a moeda brasileira ia deslanchar e eu viveria folgadamente em Buenos Aires. Então vem o Banco Central Chinês e despeja bilhões de yuanes (moeda chinesa) na economia argentina, sob forma de empréstimo. Com esse dinheiro, o país não vai precisar torrar dólares para pagar importações e com isso a cotação das moedas fica estável. a Argentina ganha estabilidade cambial, a China vende mais para Argentina (essa é a contrapartida do acordo) e eu fico, de novo, com bronca dos chineses.

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