Vila residencial no Bairro Chino, em Belgrano

Vila residencial no Bairro Chino, em Belgrano

Ao me explicar porque não gostava de morar em Belgrano, uma amiga portenha disse que o bairro tinha estava distante demais para chegar ao centro da cidade e, ao mesmo tempo, demasiadamente perto do estresse de Buenos Aires. De fato, esse bairro com mais de 160 mil habitantes é cortado por algumas das mais movimentadas avenidas da capital, a despeito de estar muito próximo do limite da província.

Na verdade, Belgrano foi fundado em 1857 como um município da Grande Buenos Aires, batizado em homenagem a Manuel Belgrano, morto 37 anos antes. Vizinho de Palermo, o local tem entre as suas principais atrações o chamado Bairro Chino, que concentra um sem número de restaurantes, supermercados e centros culturais mantidos por imigrantes chineses.

Outros pontos de interesse são o magnífico Museu de Arte Espanhol Enrique Larreta, que além do prédio e do acervo conta com um jardim fenomenal, a Igreja da Imaculada Conceição, datada de 1878, e conhecida como Igreja Redonda e o Museu Histórico Sarmiento, a antiga sede da municipalidade que abrigou provisoriamente o parlamento nacional durante o levante promovido por Carlos Tejedor, político que foi ministro das Relações Exteriores de Domingo Faustino Sarmiento e que era um defensor intransigente do status privilegiado de cidade autônoma para Buenos Aires.

Anúncios
Bandeira da Argentina e a estátua do seu criador, Manuel Belgrano

Bandeira da Argentina e a estátua do seu criador, Manuel Belgrano

foto: Liz Nunes

Criador da bandeira argentina, Manuel Belgrano (1770-1820) foi uma figura-chave na construção da identidade do país. Com ascendência espanhola e italiana, estudou nas Universidades de Valladolid e Salamanca e depois de retornar a Buenos Aires assumiu, aos 23 anos, o posto de primeiro secretário do consulado espanhol. Foi um grande incentivador da universalização da educação na Argentina, tendo criado escolas de desenho, matemática e náutica. Apaixonado por política e economia, acabou entrando para as forças armadas para defender Buenos Aires do ataque de tropas inglesas em 1806, mas nunca apreciou muito a vida militar. Jornalista, foi cofundador do Telégrafo Mercantil e dirigiu o Correo de Comercio, em cujas páginas defendia a importância da educação para o país e também o papel da mulher na sociedade. Sua voz fina, o capricho no vestuário e os bons modos levaram parte da sociedade argentina a acreditar que ele era homossexual, embora não haja fatos concretos que respaldem essa possibilidade. Em Buenos Aires existem uma avenida e uma estação de trem batizados em sua homenagem, além do elegante bairro de Belgrano, na zona norte da cidade. O dia 20 de junho, data de sua morte, é o Dia da Bandeira.